Ou o dia que o Brasil declarou guerra a Portugal (na base da zuera)

A teoria memética é uma das mais interessantes de se estudar em tempos de internet e explica muito o comportamento da internet brasileira como organismo vivo. Mas isso, por si só, não explica o que desencadeou a briga BR x PT.

Esta semana veio à tona a existência de um perfil português que se aproveitava de uma piada brasileira no Twitter. A piada em questão era um meme surgido no começo de 2015 – O “In Brazilian Portuguese”. O perfil português, excluído quando começou a ofender aos brasileiros, se valeu da ideia brasileira para falar de suas expressões regionais. Algumas tão boas quanto as que foram exibidas em português brasileiro.

Se aprofundarmos nosso olhar, o público da internet brasileira não é só um organismo altamente mutável na criação de novos memes, como um consumidor voraz deste mesmo tipo de conteúdo. Vide o exemplo “Conte uma história triste em 3 palavras”, que é um meme importado por brasileiros. O mote central da discussão não é o “roubo” do meme, mas o grande poder de spreading da internet brasileira e o engajamento que o público faz com a famigerada ~zuera~.

Tanto é que a publicidade online brasileira se desdobra e se reinventa diariamente para aproveitar o pico dos memes num trabalho muitas vezes hercúleo de community management que envolve, dentre outras coisas, a necessidade de convencimento do cliente de participar ativamente da cultura da internet.

E não é só a publicidade brasileira que está passando por este tipo de transformação. A produção audiovisual também já se passou a se importar com a audiência on demand da internet e, agora, o jornalismo é quem está em busca de uma identidade de internet para chamar de sua.

E este é um grande problema. Os títulos caça-clique (como o deste post, por exemplo), o crescimento de sites como o Buzzfeed – que estreou recentemente sua área de News no Brasil -, o Huffington Post – que é da mesma holding do Buzzfeed nos Estados Unidos, embora seja administrado pelo Grupo Abril no Brasil, e o Catraca Livre, que é uma grande curadoria da cultura de internet, mostram como o jornalismo brasileiro ainda está buscando seu lugar ao sol da internet.

A guerra BR x PT nos dá uma dimensão do quanto o público brasileiro está pronto para engajar na internet e de como nós, enquanto profissionais de comunicação na internet, devemos nos atentar não só às necessidades de marketing de nossos clientes na hora de planejar nossas ações, mas realmente imergir nesta cultura e entender quando explorar uma tendência e quando deixar a poeira baixar.

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