spotify-logo

Lidar com a pirataria online é um dos maiores problemas que a indústria musical enfrenta nas últimas duas décadas. Nos anos 2010, porém, foram surgindo diferentes modelos de negócio que buscam lutar contra a pirataria e, ao mesmo tempo, disponibilizar o conteúdo para os usuários. A Apple foi pioneira no combate à pirataria com a venda de músicas – e clipes, e filmes – através do iTunes. Depois dela, o Napster, que surgiu como um software de downloads P2P (peer to peer), também mudou seu modelo de negócio para a venda de conteúdo a preços reduzidos.

Acontece que, ainda assim, o “grande público” da internet continuava a buscar o download gratuito – como continua até hoje, embora o acesso a novas plataformas tenha reduzido bastante isso. Isso se dá pela crescente de apps como o Spotify, o Deezer (que agora é Tim Music), o Rdio, o Pandora e demais serviços de streaming de música.

O apelo é claro: música online, de alta qualidade de som, 24/7, de graça para o usuário. Há um porém neste “de graça para o usuário” – a publicidade. Este modelo de negócio é conhecido como Freemium. E muitas empresas o usam – dentre elas, a Netflix e a Google. No plano free do Spotify, o usuário consegue ouvir a todo o catálogo do app, mas com inserções comerciais a cada 3 músicas. Já no plano pago, além de não ouvir inserções comerciais no meio de suas playlists, os usuários também ficam livres de banneres publicitários em qualquer versão do app (mobile, desktop ou site) e podem salvar suas músicas, álbuns e playlists preferidos para ouvir offline.

Como a maior base da rede ainda é de usuários gratuitos, as inserções publicitárias estão cada vez mais frequentes para os usuários. Além das inserções entre uma música e outra, os usuários gratuitos do serviço ainda são impactados por banneres publicitários e, agora, com playlists patrocinadas.

A marca vem testando, há alguns meses, o “aluguel” de algumas de suas maiores playlists para empresas. Durante o período contratado pela empresa, a playlist selecionada  como a “Today’s top hits”, uma das maiores da rede, com mais de 8 milhões de seguidores em todo o mundo, passa a ser “Today’s top hits by ______________“, com identidade visual da marca patrocinadora da playlist em questão.

Embora artistas como o Radiohead, Taylor Swift ou Adele boicotem a rede por questões de royalties, para fins publicitários o Spotify tem se mostrado cada vez mais plural. Este novo modelo de publicidade onde as empresas podem “alugar” e patrocinar playlists existentes da rede é a prova disso. Ao invés de criar um brand channel, como era até então, e criar por si só seus públicos e seguidores na rede, a marca pode se aproveitar de playlists mundialmente famosas para seus negócios – sem precisar aumentar seus budgets para esta mídia.

O Spotify tem se intensificado como mais do que um app de streaming de música, mas uma verdadeira mídia publicitária que reinventa seus modelos de negócio para atrair tanto a usuários como investidores, além de seus investimentos em relações públicas em ações notáveis como esta.

Ao fim de cada ano, a rede também oferece um estudo do serviço que não deixa a desejar para ninguém. Enquanto o usuário tem acesso personalizado a dados como: quantas bandas/artistas diferentes ele ouviu, quanto tempo de streaming ele teve durante o ano, qual dia da semana ele ouve mais música, o que ele mais ouviu em cada estação do ano e por aí vai, a publicidade e a indústria fonográfica ganham um estudo detalhado de público.

Uma coisa fica clara: o Spotify veio para abrigar (e brigar com) peixes grandes do mundo da comunicação.

Fique atento à nossa página do Facebook e do LinkedIn para mais notícias sobre marketing digital, redes sociais, comunicação, propaganda e design!

Comments

comments